Um dia você acorda e percebe que
não sabe quantos anos tem. O aniversário deixou de ser a data mais esperada há
muito tempo. Mas foi pouco a pouco que todas as outras festividades – do Natal
ao São João – perderam aquele quê de especial. Aos sete anos, o domingo tinha
sol de domingo, não importa se os termômetros marcassem as mesmas temperaturas
de todos os outros seis dias da semana. A locadora de VHS tinha cheiro de
locadora de VHS. As escadas rolantes eram temidas como as câmeras de gás dos
campos de concentração e os cachorros, dos pequenos aos gigantes, eram algo
semelhante aos juros da conta atrasada do banco.
Medo de cachorro? Não mais. Medo do escuro? Tampouco. Medo do que vai fazer daqui a um ano? Talvez. Medo do que serei daqui a 10: esse sim, aterrorizante.
Medo de cachorro? Não mais. Medo do escuro? Tampouco. Medo do que vai fazer daqui a um ano? Talvez. Medo do que serei daqui a 10: esse sim, aterrorizante.
A vida é como um filme legal na
sexta-feira à noite. Um cochilo só e já está quase no meio e você não viu quem
foi que fez besteira, se foi o cara do bem ou o vilão disfarçado, só sabe que
algo precisa ser feito. Pra já. O que conforta mesmo, ainda que esqueçamos
disso na maior parte do tempo, é saber que, pelo jeito que olhamos no espelho,
dificilmente seríamos uma película iraniana. Pela rapidez dos cortes e
intensidade das cenas, teremos final feliz sim, com direito a música de fundo
que toca na rádio e faz esquecer os sustos e opas, os cochilos. Tudo, tudo.

Você como sempre, brilhante. Desde criança. Não é agora que seria diferente.
ResponderExcluirDigo que você é um bom vinho. Quanto mais velho, melhor fica.
Abração.